segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Igreja Indígena Brasileira

 Peço novamente licença ao amigo Daniel Munduruku para reproduzir um texto ao qual confesso, também não sei nem como "enchergar" o tamanho do "estrago" que possa fazer na cultura indígena. Trabalhei como voluntário em um Projeto em Dourados ( MS ) com os Kaiowá e não imaginava que além do trabalho social, ajuda humanitária, hospitais e tudo o mais, poderia tomar tamanha proporção. Realmente não sei como farei essa abordagem . Prefiro deixar para um pouco adiante, voltar a falar sobre o assunto. Leiam e tenham discernimento na compreensão do que foi exposto.

Sexta-feira, Setembro 17, 2010

A revista Ultimato, edição 324, abordou a missão entre os indígenas no Brasil. Reproduzo aqui uma entrevista com Ronaldo Lidório.

Dos 616 mil indígenas brasileiros, 52% ainda habitam em aldeamentos e 48% já moram em regiões urbanizadas. A igreja evangélica indígena é maior do que se imaginava e continua crescendo. Há inclusive três fortes movimentos indígenas: o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI), a Associação de Mulheres Evangélicas Indígenas (AMEI) e a Associação Indígena de Tradutores Evangélicos (AITE). Contudo, ainda há muito por fazer. Especialistas em missões indígenas afirmam que o Brasil precisa atualmente de quinhentos novos missionários.

Qual o panorama geral das etnias indígenas brasileiras?

As pesquisas e análises mais atuais apresentam o universo indígena brasileiro formado por 228 etnias conhecidas, 37 isoladas, 41 ressurgidas, nove possivelmente extintas e 25 a pesquisar, totalizando 340 etnias distintas. O panorama sociocultural é também bastante eclético e envolve uma crescente migração urbana, uma explosão de indivíduos que passaram a se autodeclarar indígenas nos últimos quinze anos, uma acelerada perda da língua materna nas etnias periféricas às áreas urbanas e uma intensificação dos problemas de saúde, educação e subsistência nos ambientes de aldeamento.

O que é o Relatório Etnias Indígenas Brasileiras 2010?

A coordenação de pesquisa do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) deu seguimento ao precioso trabalho já realizado por diversas pessoas, como Carl Harrison, Rinaldo de Mattos, Isaac Souza, Ana Bacon, Osvaldo Álvares, Ted Limpic, Enoque Faria e, nos últimos anos, Paulo Bottrel. Nessa atualização do banco de dados, contamos com a participação de vários parceiros, como o CONPLEI, a Sociedade Internacional de Linguística (SIL), as agências missionárias ligadas à AMTB, SEPAL e o Instituto Antropos, além de diversos pesquisadores de campo e colaboradores de análise.

Na revisão de 2010 foram feitas 27 pesquisas de campo e 76 entrevistas com líderes indígenas, e consultados os bancos de dados do IBGE, FUNASA e FUNAI, entre outros, com um total de 4.200 dados avaliados. O resultado é o Relatório Etnias Indígenas 2010 (disponível no site www.indigena.org.br). Seu objetivo é observar as tendências demográfica, sociocultural, linguística e religiosa dos povos indígenas e nortear as iniciativas, sobretudo evangélicas, de forma mais focada nas áreas de real carência.

A migração para centros urbanos é uma realidade no meio indígena?

Reconhecemos a população indígena brasileira como sendo formada por 616.000 pessoas em 2010. Dentre elas, 52% habitam em aldeamentos e 48%, em regiões urbanizadas ou em urbanização, sendo que aproximadamente 60% da população indígena brasileira habita a Amazônia Legal. A partir das leituras de movimentos demográficos, porém, em cinco anos haverá igualdade entre aqueles que habitam as aldeias e os que habitam as pequenas e grandes cidades. A partir de 2015, a quantidade de indígenas habitando áreas urbanas será maior, e em aumento gradativo.

Os principais fatores para a urbanização são quatro: busca por educação formal em português, proximidade a uma melhor assistência de saúde, acesso a produtos assimilados (roupas, alimentos, material de caça e pesca, entretenimento e álcool), e busca por melhor subsistência.

Qual é a representatividade da igreja evangélica indígena?

A igreja evangélica indígena é maior do que imaginamos e está em franco crescimento. Isto se dá a partir das relações intertribais locais, atuação missionária com ênfase na evangelização, discipulado e treinamento indígena, acesso à Bíblia e três fortes movimentos indígenas nacionais, que são o CONPLEI, a AMEI e a AITE.

A igreja indígena está presente em 150 etnias, possuindo igreja local com liderança própria em 51 e sem liderança própria em 99, o que ainda é um grande desafio. Além disso, há 54 etnias sem programa algum de ensino bíblico; tal fato demonstra que o crescimento não é proporcional ao desenvolvimento do ensino e treinamento. Isso pode gerar graves problemas, como sincretismo e nominalismo. Há 121 etnias pouco evangelizadas ou não evangelizadas

Como é a presença missionária evangélica entre indígenas e sua relação com ações sociais?

Há missionários evangélicos em 182 etnias indígenas. Tal presença representa mais de trinta agências missionárias e quase cem denominações diferentes. Como a evangelização é parte da natureza da Igreja, as ações evangelizadoras estão presentes em várias frentes. Porém, é preciso destacar também que a presença missionária evangélica é responsável por um número expressivo de ações e iniciativas sociais.

Em 165 dessas etnias há programas e projetos sociais coordenados por missionários evangélicos, com ênfase nas áreas de educação (análise linguística, registro, letramento, publicações locais e tradução), saúde, subsistência e na área sociocultural (valorização cultural, promoção da cidadania, mercado justo e inclusão social).

Qual a diferença entre evangelização e catequese?

A evangelização difere-se da catequese principalmente em relação ao conteúdo, abordagem e comunicação. O conteúdo da catequese é a igreja, com seus símbolos, estrutura e práticas, ou seja, a sua eclesiologia; o da evangelização é o evangelho, os valores cristãos e a pessoa de Jesus Cristo. A abordagem da catequese é impositiva e coercitiva; a da evangelização é dialógica e expositiva. A catequese se comunica a partir dos códigos do transmissor (o que fala), sua língua e seus costumes, importando e enraizando seus valores; a evangelização se dá com a utilização dos códigos do receptor (o que ouve), sua língua, cultura e ambiente, respeitando os valores locais e focando na comunicação da mensagem como inteligível e aplicável ao seu universo.

A AMTB preparou um manifesto sobre o assunto e chegou a algumas afirmações importantes. A primeira é que nenhum elemento deve ser imposto a uma sociedade, seja indígena ou não-indígena. A segunda é que a cultura humana não é o destino do homem e sim seu meio de existência. Ela é dinâmica, provocando e sofrendo processos de mudança, seja por motivações internas ou a partir de trocas interculturais. Portanto, cabe ao próprio grupo refletir sobre sua organização social, tabus e crenças, e promover (ou não) ajustes sociais que julgue de benefício. Vemos isso em relação ao infanticídio e valiosas iniciativas da organização ATINI. Esse manifesto expressa também que a motivação missionária da igreja precisa ser respeitada, pois não se deve confundir motivação cristã com imposição do cristianismo.

Para quantas línguas indígenas a Bíblia já foi traduzida e o que falta ser feito?

Hoje contamos com 58 línguas que possuem porções bíblicas, o Novo Testamento ou a Bíblia completa em seu próprio idioma -- material que serve a 66 etnias. Em três línguas há a Bíblia completa (que serve a sete etnias); em 32, o Novo Testamento completo (que serve a 36 etnias) e em 23, porções bíblicas, que servem ao mesmo número de etnias.

Há dez línguas conhecidas com clara necessidade de tradução da Bíblia, 28 com necessidade de um projeto especial de tradução com base na oralidade e 31 com situação ainda indefinida. Essas 31 línguas a avaliar são faladas por 59 etnias; portanto, o desafio linguístico quanto à tradução bíblica é enorme. Tanto as línguas com necessidade de projetos de tradução quanto aquelas com necessidade de um projeto especial de oralidade possuem pouca possibilidade de compreensão do evangelho em alguma outra língua, por outros meios de comunicação ou outros grupos próximos.

A presença de linguistas, educadores e tradutores missionários, catalogando, analisando e produzindo material de letramento nas línguas indígenas, além da tradução da Bíblia, colabora para a valorização linguística, social e cultural da população indígena. É uma das ações de grande relevância espiritual e social.

É possível quantificar a necessidade de novos missionários?

Mais de 40% das ações missionárias em andamento demandam com urgência mais pessoas para assegurar o seu prosseguimento e 95 etnias conhecidas permanecem sem presença missionária. Assim, estima-se a necessidade de, no mínimo, 357 novos missionários para reforçar o trabalho existente e dar início a novos. Levando em consideração as ações especializadas e o trabalho administrativo, logístico e pastoral que tanto precedem quanto acompanham tais iniciativas, são necessários quinhentos novos missionários para este momento do trabalho indígena.

Quais os maiores desafios para a igreja indígena?

As 99 etnias com igreja evangélica, mas sem liderança própria, representam a extensão do desafio de treinamento em nossos dias. Além disso, 67 delas têm pouco acesso a cursos bíblicos e 54 não têm acesso algum. Há, portanto, necessidade de fortalecer os seminários e cursos já implementados para o treinamento indígena, investir em novas iniciativas, como a Capacitação Bíblica Missionária Indígena (CBMI), e encorajar os movimentos de treinamento de própria iniciativa indígena, como o CONPLEI.

À medida que as iniciativas missionárias crescem e se tornam mais complexas, qual o principal desafio quanto ao apoio especializado?

O apoio técnico é muito necessário. Podemos observar instituições e iniciativas, como Asas do Socorro, e sua atuação no apoio logístico, transporte, comunicação e ações sociais. Tais iniciativas especializadas multiplicam as ações missionárias, melhoram a qualidade do serviço e são parte fundamental do trabalho realizado. Podemos citar ainda áreas como linguística, antropologia, missiologia, pesquisa, desenvolvimento comunitário e consultoria jurídica. Sem um fortalecimento do apoio especializado, as ações missionárias entre os povos indígenas perderão força, qualidade e oportunidade.

Como a igreja brasileira pode se engajar de forma mais prática?

Cada igreja deve se envolver com uma iniciativa nova e com outra em andamento, para, ao mesmo tempo, aplacar seu afã por novas iniciativas e dar a atenção necessária às atividades missionárias em andamento ou em fase de consolidação.

Pode-se utilizar o material disponível ( www.indigena.org.br) para informação, reflexão, mobilização e despertamento missionário da igreja em prol das questões indígenas. A igreja precisa investir na capacitação e no envio dos que são vocacionados. É preciso orar pelos povos indígenas, suas lutas e suas dores. Amá-los e transmitir esse amor tanto na evangelização bíblica quanto nas ações sociais, tão necessárias. É preciso também se aproximar da igreja indígena para conhecê-la de perto, ver seu rosto e caminhar de mãos dadas. Uma forma de fazer isso é por meio do CONPLEI.

Porém, sabemos que a primeira missão da igreja não é enviar missionários, proclamar o evangelho ou saciar os famintos. Sua primeira missão é morrer. Perder os valores da carne e ser revestida com os valores de Deus. É se “desglorificar” para glorificar a Deus. Somente morrendo para nós mesmos teremos olhos abertos o suficiente para enxergar com os olhos de Cristo e de fato fazer aquilo que há muito sabemos ser necessário.
 
http://danielmunduruku.blogspot.com/

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Atrito

Ninguém muda ninguém;
ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.
Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos transformamos
Somos transformados a partir dos encontros,
desde que estejamos abertos e livres
para sermos impactados
pela idéia e sentimento do outro.
Você já viu a diferença que há entre as pedras
que estão na nascente de um rio,
e as pedras que estão em sua foz?
As pedras na nascente são toscas,
pontiagudas, cheias de arestas.
À medida que elas vão sendo carregadas
pelo rio, sofrendo a ação da água
e se atritando com as outras pedras,
ao longo de muitos anos,
elas vão sendo polidas, desbastadas.
Assim também agem nossos contatos humanos.
Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar
que não existem sentimentos, bons ou ruins,
sem a existência do outro, sem o seu contato.
Passar pela vida sem se permitir
um relacionamento próximo com o outro,
é não crescer, não evoluir, não se transformar.
É começar e terminar a existência
com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser
várias marcas de pessoas extremamente importantes.
Pessoas que, no contato com elas,
me permitiram ir dando forma ao que sou,
eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor,
mais suave, mais harmônico, mais integrado.
Outras, sem dúvida, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas.
Faz parte...
Reveses momentâneos servem para o crescimento.
A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo,
ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos.
Os seres de grande valor,
percebem que ao final da vida,
foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas,
se aproximando cada vez mais de sua essência,
e ficando cada vez menores, menores, menores...
Quando finalmente aceitamos
que somos pequenos, ínfimos,
dada a compreensão da existência
e importância do outro,
e principalmente da grandeza de DEUS,
é que finalmente nos tornamos grandes em valor.
Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
Sabemos quanto se tira
de excesso para chegar ao seu âmago.
É lá que está o verdadeiro valor...
Pois, DEUS fez a cada um de nós com um âmago bem forte
e muito parecido com o diamante bruto,
constituído de muitos elementos,
mas essencialmente de AMOR.
DEUS deu a cada um de nós essa capacidade,
a de AMAR...
Mas temos que aprender como.
Para chegarmos a esse âmago,
temos que nos permitir,
através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos
que nos impedem de usá-lo,
de fazê-lo brilhar.
Por muito tempo em minha vida acreditei
que amar significava evitar sentimentos ruins.
Não entendia que ferir e ser ferido,
ter e provocar raiva,
ignorar e ser ignorado
faz parte da construção do aprendizado do amor.
Não compreendia que se aprende a amar
sentindo todos esses sentimentos contraditórios e...
os superando.
Ora, esses sentimentos simplesmente
não ocorrem se não houver envolvimento...
E envolvimento gera atrito.
Minha palavra final: ATRITE-SE!
Não existe outra forma de descobrir o AMOR.
E sem ele a VIDA não tem significado.
(Roberto Crema)
  Presidente do Colégio Internacional dos Terapeutas – UNIPAZ.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Do Bom e do Melhor


Estamos obcecados com “o melhor”. Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do “melhor”. Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor homem, o melhor vinho.

Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com “o melhor”. Isso até que outro “melhor” apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor de repente nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, um eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros!...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque “é o melhor cargo da empresa”? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem “o melhor chef”? Aquele xampu que eu usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo “melhor cabeleireiro”?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o “bom” que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens “perfeitos”. As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa  mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e, na busca do “melhor”, a gente nem percebeu?... Este texto foi escrito pela jornalista Leila Ferreira no blog Nós Mulheres da revista Marie Claire.

Realista

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. 
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. 
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
 A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade

Mário Quintana